Angola: Como recuperar a confiança dos doentes nos serviços médicos?

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Os médicos que trabalham em Angola recebem constantemente pedidos de relatório médico, para consultas fora do país. Em geral os doentes não confiam nos serviços de saúde. Fazer consultas fora do país  continua a ser a opção mais segura. Este sentimento abrange a tudo o espectro social. O problema é que agora isso está a ficar muito caro.

Gostemos ou não, verdade é que há muitos motivos para esta desconfiança. Frequentemente vão a um médico que lhe diz uma coisa, vão ao outro que lhe diz o contrário em relação ao mesmo problema. No meio esta ele, sem saber quem é que está certo.  A falta de informação ou a informação incompleta provoca receio, provoca desconfiança. Parece mentira, mas a maioria dos doentes que observo em consulta, nem sequer sabem qual o nome da doença cronica que sofrem.
É normal e até salutar que existam diferencias de critérios entre os médicos. Todavia os princípios que suportam as condutas é que não deveriam diferir. Quando se faz uma abordagem tendo em contar princípios universalmente aceites,  as possibilidades de  resultados semelhantes dentro ou fora do país aumentam
Também e não poucas vezes, os médicos tem a preparação correcta mas carecem dos recursos ou dos processos imprescindíveis  para resolver a situação. Definitivamente cabe a eles, e a ninguém mais,  lutar para que sejam criadas condições de trabalho apropriadas. Lutar para que sejam alocados os recursos compatíveis com a qualidade dos serviços que são reivindicados, com tudo direito,  pelos doentes. Os médicos devem comunicar mais entre eles. A quantidade de simpósios ou jornadas a que assistem os profissionais de outros países, facilita a adopção de princípios e protocolos comuns de diagnóstico/tratamento. Isso sem dúvidas  resulta num atendimento mais coeso e confiável.
A partilha do conhecimento entre os médicos,  eleva a confiança dos pacientes. Eles sentem que existe um conhecimento solido, bem fundamentado que é partilhado. Esta na hora de criar comunidades científicas na rede. Esse intercâmbio continuo facilita a discussão acerca pode ser feito para melhorar os serviços médicos dentro da nossa realidade.
É imprescindível identificar correctamente  as carências materiais ou cognitivas que possam existir para solucionar um determinado problema de saúde. Ser coerente, colocar em primeiro lugar o paciente, depois o ego institucional ou particular. Enviar um doente para outro colega, em melhores condições para dar solução, não  significa despreparo. É bom ser suficientemente humilde para o fazer. Isso é profissionalismo. O pais esta a mudar, os médicos devem ser capazes de melhorar a situação actual, ganhar novamente a confiança dos doentes. Ninguém vira de fora para o fazer.
Sobre Dr. Santiago Castillo Avila 59 artigos
Cirurgião Ortopedista. Especialista em Ortopedia Pediátrica CEO do ORTOCENTRO do Benfica Consultório CMA-Talatona. Tel: 935 556684 - 927 625 077 Luanda. Angola