Lesões mais frequentes no ombro do recém-nascido em Angola.

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Quase todos os recém nascidos involuntariamente estendem os braços, sempre que percebem uma situação de insegurança ou desequilíbrio. Isto é conhecido como reflexo de Moro, descrito pelo neurologista italiano Ernesto Moro. Trata-se de um dos vários reflexos primitivos. Se manifesta perante um estimulo repentino, inesperado.

O teste deste reflexo ajuda a verificar a integridade do sistema nervoso central. Todavia também ajuda a sinalizar distúrbios músculoesqueléticos. A resposta assimétrica dos membros superiores é sinal de lesão no sistema músculoesquelético. Em todos os recém nascidos deve (o deveria) ser testado este reflexo, mesmo antes de abandonar a maternidade. Isso facilitaria o início de um tratamento precoce.

Mas quais são as causas mais frequentes de anomalias no ombro nos recém-nascidos em Angola?
São 3 e todas elas facilmente identificáveis. De facto não se justifica o diagnóstico tardio, mesmo na ausência de um ortopedista.

1- Fractura da clavícula
A clavícula é o primeiro osso que ossifica totalmente, durante o parto frequentemente  fractura-se ou “é fracturado”. Em geral trata-se de uma fractura não deslocada porque conserva-se o tubo de periósteo e os ligamentos a volta. O bebe com esta lesão é incapaz de levantar o braço afectado. A causa é a dor no foco da fractura e não propiamente uma incapacidade mecânica ou neurologica.

Quando a lesão do bebé não é diagnosticada dentro do hospital, os familiares vão ao medico porque observam um aumento de volume na zona da clavicula. Reparam que a criança não movimenta o membro normalmente. Que chora quando se mexe nele. O tratamento da fractura no recém nascido visa dar conforto à criança, a consolidação  do osso sempre acontece. Se imobiliza o ombro com tipoia durante uma semana ou dez dias e fica resolvida. Não é preciso massagem ou qualquer tipo de fisioterapia. A pequena elevação local desaparece em poucas semanas.

2- Paralisia Braquial Obstétrica
A quem diga que a fractura da clavícula durante o parto evita a lesão do plexo braquial. Consideram que a superposição  transitória dos fragmentos do osso,  diminui o diâmetro dos ombros e facilita a passagem da criança pelo canal de parto.

Como o nome indica, na Paralisia Braquial Obstétrica (PBO) há uma lesão nos nervos do plexo braquial. A causa mais frequente é a distocia de ombros no canal de parto. Por causa do conflicto entre o diâmetro do canal de parto e os ombros,  a criança fica presa entre o púbis e o promontório sacral materno.

Na tentativa de puxar o bebé para fora, o plexo braquial é traccionado e de ai sua lesão.  Não por acaso que a macrossomia fetal esta entre as principais causas de PBO.  O curioso é que em 70-90% dos casos não há factor de risco identificável. 

3- Fractura  do úmero
Esta é uma lesão iatrogénica. A manipulação pouco gentil do membro superior do bebé pode provoca a fractura. Geralmente ocorre no terço meio ou proximal do osso. Neste ultimo se pode involucrar a metáfise ou inclusive a placa de crescimento. Neste ultimo caso o crescimento do osso pode estar comprometido. Frequentemente o diagnóstico passa despercebido e são novamente os familiares a identificar a anomalia.

Os sintomas são pouco específicos e os sinais radiográficos são difíceis de identificar, para uma vista pouco treinada, neste tipo de lesão. O tratamento é similar ao da fractura da clavícula. Procura-se imobilizar o ombro, para diminuir a dor . Embora a amplitude de movimento articular compensa qualquer deformidade remanescente, os familiares devem ser informados desta eventual sequela. 

Resumindo
Desta trilogia de lesões a mais preocupante é a PBO. Estima-se que dois em cada 1000 nascidos vivos sofrem uma Paralisia Braquial Obstétrica. Mesmo com um melhor treino das parteiras e com o aumento dos partos por cesariana, o indicie de PBO não tem diminuído significativamente. O prognóstico das crianças com PBO depende fundamentalmente do gravidade da lesão e da abordagem terapêutica.

O tratamento das crianças com PBO começa imediatamente após o diagnóstico. Eu recomendo as mães dos meus pacientes, cada vez que mudarem a frauda do bebé, fazer uma serie de movimentos específicos no membro afectado.

Crianças com arrancamento da raiz do nervo tem um pior prognostico, assim como as lesões dos nervos mais inferiores. Entre o 70-80% dos pacientes tem uma recuperação aceitável. A fisioterapêutico e a reabilitação bem direcionada são fundamentais. A cirurgia nestes pacientes, alem de complexa, tem resultados muito aleatórios.

A propósito das pernas arqueadas em crianças angolanas
Gota->A inflamação por excesso de acido úrico

A crise dolorosa aguda da Gota trata-se com anti-inflamatorios (AINEs), com analgésicos, com boa hidratação e controlo dietético. Historicamente a Colchicina da bons resultados nesta fase. Os medicamentos que aumentam a excreção renal do acido úrico, como o Alopurinol (Zyloric), devem ser evitados na fase aguda pelo potencial dano renal. A vitamina C, como em outros distúrbios da fibra colágena, tem um papel importante.


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