O ensino da Ortopedia e outras ciências afins

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Sejamos honestos, a Ortopedia não é muito famosa entre os estudantes de medicina. Isto é  quase universal. Dedica-se pouco tempo ao estudo dos problemas musculoesqueléticos, se comparamos com outras especialidades médicas. É por isso que os doentes com qualquer distúrbio osteoarticular, seja da gravidade que for, são logo encaminhados para o ortopedista ou para o reumatologista.

Em sistemas de saúde bem estruturados  isto não é muito relevante. Os problemas surgem onde há poucos ortopedistas. Pior quando os poucos que existem estão mal distribuídos. Os distúrbios músculo-esqueléticos são a segunda causa de visita às urgências, dá para imaginar o transtorno. Por desgraça é esta a situação que temos. Um ensino precário das ciências musculoesqueléticas, poucos profissionais com conhecimentos sólidos e um aumento constante de doentes com problemas ortopédicos.

Os pacientes com doenças ou traumatismos musculoesqueléticos são obrigados a fazer “Tour hospitalar”. Vai ter que procurar um ortopedista, é uma das frases mais frequente nos serviços médicos. Curiosamente  nem sempre o problema do paciente justifica a visita a um ortopedista. Muitos problemas desse tipo podiam ser resolvidos na assistência primária. Podiam ser resolvidos por não especialistas com sólidos conhecimentos sobre o aparelho locomotor.

Se na capital já é difícil encontrar um ortopedista, nos municípios ou inclusive nas províncias ainda é mais complicado. Frequentemente a situação agrava-se enquanto se anda à procura de um. No programa “Ortopedia Sem Fronteiras” vi doentes que ficaram com sequelas desnecessárias por este motivo. 

Certamente não será possível mudar a situação sem melhorar a qualidade no ensino . É preciso disponibilizar o melhor conhecimento aos estudantes, com suficientes horas de estudo, com professores mais motivadores. Os que vivem ou trabalham em zonas remotas também devem ter acesso. Quem está em Cunene deve ter a mesma qualidade de ensino de quem está em Luanda. Para conseguir este desiderato, as novas tecnologias de informação e o ensino a distância devem deixar de ser uma alternativa para serem a ferramenta principal. 

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