Cadê os trabalhos científicos em África?

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A publicação sistemática de trabalhos científicos ainda não é frequente nos médicos que vivem e laboram em África. Publica-se pouco ao sul do Sahara e ainda menos nos países africanos que falam português.

Não é notícia que a África é um continente com graves problemas na saúde pública, problemas estes que diferem muito dos que tem Europa ou Norteamerica. Curiosamente é lá onde mais trabalhos publicam, junto com a Ásia. Inclusive escrevem sobre temas que deveriam em princípio, ser prioridade dos africanos, por tratar-se de doenças que afectam este continente.

Vejamos os principais problemas do aparelho locomotor infantil. São as infecções, os traumatismos e as malformações congénitas, problemas negligenciados na infância que comprometem o desempenho físico do adulto. Traumatismos de alta energia, consequência directa de acidentes de viação ou domésticos, quedas de altura e  em algumas zonas por engenhos explosivos.

Em 2004 fiz uma pesquisa na Internet sobre as infecções mais frequentes no aparelho locomotor infantil. Os poucos trabalhos publicados em África Subsariana, foram da África do Sul, da Nigéria e alguns da Zâmbia e Malawi.

Reparei que varios trabalhos foram feitos por expatriados a colaborar nesses países. Não encontrei qualquer um dos países africanos que falam português.

Publicar trabalhos científicos em medicina é essencial para o desenvolvimento profissional. Em países com sistemas de saúde bem estruturados, só médicos que publiquem trabalhos científicos podem se candidatar a vagas como como docentes. Publicar ou morrer, é um axioma na comunidade médica norte-americana. Reflecte a importância que eles atribuem as pesquisas.

Tudo trabalho cientifico esta associado à uma preparação bibliográfica que indirectamente actualiza os conhecimentos. Obviamente isto reverte numa melhor preparação  e  qualidade de serviço superior.

É preciso alterar esta situação. Independentemente das condições em que trabalhamos, nos médicos temos que pesquisar e publicar. É lógico que desenvolver nossa actividade num ambiente que estimule e possibilite a investigação científica seria óptimo, mas não podemos esperar. É com a investigação e com os  trabalhos científicos que vamos a encontrar as respostas para “os nossos problemas”.

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Sobre Dr. Santiago Castillo Avila 59 artigos
Cirurgião Ortopedista. Especialista em Ortopedia Pediátrica CEO do ORTOCENTRO do Benfica Consultório CMA-Talatona. Tel: 935 556684 - 927 625 077 Luanda. Angola