A propósito do LES, uma chamada de atenção

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Recentemente perdi uma pessoa muito querida e importante na minha vida, vitima duma doença silenciosa e traiçoeira que lhe tirou a vida aos na altura em que estava pronta a concretizar seus sonhos. Ela morreu de Lúpus Eritematoso Sistémico aos 36 anos de idade.

O Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) é uma doença inflamatória auto-imune de etiologia desconhecida, que pode envolver a vários aparelhos e sistemas isoladamente ou em seu conjunto. Tem um curso clínico e um prognóstico variável. Muitos ainda a consideram uma doença rara e talvez seja esse um dos motivos da sua ainda alta mortalidade, só se diagnostica aquilo que se suspeita. Estima-se que em USA a incidência é de 14.6 a 50.8 casos por cada 100.000 habitantes, na revisão bibliográfica deste artigo constatamos que só na consulta de Reumatologia do Hospital Santa Maria de Lisboa são seguidos mais de 300 pacientes e estima-se que  metade dos pacientes com LES  tem danos permanentes em algum órgão ou sistema.

O perfil imunológico dos pacientes com Lúpus inclui uma exaltação da imunidade humoral responsável pela formação de anticorpos que provoca fenómenos de vasculite e uma diminuição da imunidade mediada por células, de ai a maior propensão destes pacientes para contraírem doenças infecciosas em particular por gérmenes oportunistas.

O Lúpus e mais frequente na mulher em idade produtiva e tem a menor prevalência em crianças e idosos, se trata de uma doença simuladora por que tem uma variedade de sintomas e sinais que são comuns com outros processos osteoarticulares e por isso passa muitas vezes inadvertido, confundido com outra doença.

Embora possa aparecer em qualquer etnia ou região, percebe-se em estudos demográficos norte-americanos uma prevalece na raça negra, na asiática e em famílias com história de doenças auto-imunes.

Segundo o colégio americano de reumatologia, o diagnóstico da doença é factível em qualquer individuo com pelo menos 4 dos seguintes sinais;

1- exantema em asa de borboleta

2- lúpus discóide

3- ulceras orais

4- artrite

5- serosite

6- proteinuria superior a 500mg/24h

7- alterações neurológicas, convulções ou psicose

8- anticorpos antinucleares

9- foto-sensibilidade

10- distúrbios hematológicos tais como anemia hemolítica, linfopenia, leucopenia, trombocitopeneia.

11- distúrbios imunológicos:anti DNA positivo, célula LE positiva,etc

 

Sinais de Lúpus
Sinais de Lúpus

As manifestações reumáticas e dermatológicas quase sempre estão presentes, repare que 96% dos 232 casos observados no Hospital Santa Maria tinham alguma alteração deste tipo, a seguir vem as hematológicas presentes em 86%, a febre e sintomas gerais em 60%, as renais em 46% e finalmente as psiquiátricas em 42% .

A artrite é a manifestação reumática mais frequente e não é raro que muitos passem toda uma vida com diagnóstico de A. Reumatóide, quando na verdade tem LES. A  hipertensão é outro elemento importante, geralmente de causa renal por glomerulonefrite proliferativa difusa.

Não pretendo abordar o tratamento do LES, para isso deixo algumas referências que podem ser consultadas, isso sim, colegas e pacientes fiquem em alerta sempre que alguém apresente algum dos já referidos sintomas ou sinais e pensem logo na possibilidade da existência desta doença, acreditem, ignorar o diagnóstico de LES quase sempre é fatal.

Sites que podem e devem ser consultados:

1- Lupus Foundation of America

2- Associação Brasileira de Lúpus

3- Comunidade de Lúpus no Facebook

 

Bibliografia recomendada

1. American College of Rheumatology ad Hoc Commitee on Systemic Lupus Erythematous

Guidelines for referral and management of systemic lupus erythematous in adults. Arthritis Rheum 1999;42:1785-96

2. Reeves W, LahitaRG. Clinical presentation of SLE. In: LahitaRG, editor Systemic lupus

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3. McMurray RW. Nonstandard and Adjunctive Medical Therapies for Systemic Lupus Erythematous Arthritis Care Res 2001;45:86-100.

4. Ostensen M, Villiger PM. Nonesteroidal anti-inflammatory drugs in systemic lupus erythematous. Lupus 2001;10:135-139

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6. D´Cruz D. Antimalarial therapy: a panacea for mild lupus?. Lupus 2001;10:146-151

7. Abu-Shakra M, Shoenfeld Y. Azatioprine therapy for patients with systemic lupus erythematosus. Lupus 2001;10:152-153

8. Takada k, Illei GG, Boumpas DT. Cyclophosphamide for the treatment of systemic lupus

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10. Ting WW, Sontheimer RD. Local therapy for cutaneous and systemic lupus erythematosus

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11. Millard TP, Hawk JLM. Ultraviolet therapy in lupus. Lupus 2001;10:185-187

12. Karim MY, Ruiz-Irastorza G, Khamashta MA, Hughes GRV. Update on therapy-thalidomide in the treatment of lupus. Lupus 2001;10:188-192

13. Wallace DJ. Apheresis for lupus erythematosus: state of the art. Lupus 2001;10:193-196

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15. Adu D, Cross J, Jayne DRW. Treatment of systemic lupus erythematosus with mycophenalate

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Sobre Dr. Santiago Castillo Avila 58 artigos
Cirurgião Ortopedista. Especialista em Ortopedia Pediátrica CEO do ORTOCENTRO do Benfica Consultório CMA-Talatona. Tel: 935 556684 - 927 625 077 Luanda. Angola

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